terça-feira, 17 de agosto de 2010

Um Lá Maior.

Meus passos seguem as gotas da chuva. Vou de encontro a elas,às vezes, subindo essas ladeiras estreitas que a vida me carrega.O vento sopra frio. Meus cabelos dançam, meus braços esquentados pelo calor de dentro, sigo sem medo.Não tem nada a ser explicado. Vou cambaleando, pulando nas poças, rodando o mundo inteiro várias vezes por segundos. Me surpreendo de como tudo me invade. Uma ponta ta aqui guardadinha, a outra também. Vejo meu dia raiar pela janela que pisca de cor laranja. Antes, no nosso antes, eu não percebia nem sentia como esse antes de agora. Os números se misturam, sou 8, 7; sou 7,8. As músicas e na nossa vida, na parte que é minha e na nossa parte que vive em mim. De Outubro até Agosto... são tantos gostos. Boto a água no fogo, você côa o café. O tempo passa e nada passa. Brincadeiras sérias que são guardadas nesse cantinho que esquenta cada vez mais, independente de distância-tempo. Quando pergunto, às vezes, me pego respondendo. É uma sintonia tão grande... tão singular nesse plural.Sá! Sapeca. Tudo dentro. Somos uma só de mim, de você. “Meu colega falou comigo: -gata, você gosta de carlton ? – Não muito, gato. Minha preferência é LA. – óia, muderna! – respondi com o meu sorriso.” E assim as horas passam, o dia quase amanhece, e eu... Eu vou rodar o mundo inteiro de novo, pelo menos umas 87678 vezes, antes de dormir.Sinto borboletas. Me basta.

Tempo.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Vácuo


Dentre dores, rumores, amores, um pouco de você.
Um pouco da sua alegria, que talvez tenha restado em mim.
Enquanto tomo mais um copo de chá, a chuva cai lá fora. Uma chuva fina. Ela me fez lembrar de quando cortei meu dedo com uma folha de papel. Aquele papel com aquele escrito seu. Uma dor fina e molhada, feito essa chuva de agora.
A cada gole, percebo que o tempo passou sem passar. O passou, me remete a outros sentimentos. Outras pessoas. O sem passar, a você, que mesmo com o passou, tudo parecendo ter ido, onde na verdade foi adormecido. É isso.
Um amigo uma vez me disse a seguinte frase: “Te acalma, existem coisas que precisam ser adormecidas para que sejam acordadas no momento certo. Se não, a vida se encarrega de apagar de vez.” – Pois é. Depois de tanto tempo a sua alma não foi apagada da minha.
Sou uma pessoa cheia de quereres. Quereres das coisas mesmo. Ou a própria música de Caetano Veloso – Os Quereres “ - Ah bruta flor do querer”. Na verdade, me refiro também, “a garota tão louca” que Gonzaguinha fala na música –Maravida-. Não sou diferente. Não somos.
Engraçado quando me pego olhando pro espelho e nele reflete outra imagem que não sou eu. Incrível como isso acontece, estranho também, às vezes engraçado.
Gostaria de estar tomando um vinho seco agora. Sabe aquele vinho com gosto de madrugada? Mas... não tenho vinho. Cigarro aqui até tem, mas, pra falar a verdade... não tenho vontade de fumar. Não poder e querer são coisas diferentes não é? Não posso e nem quero fumar. Confesso sentir falta da dança que a fumaça faz... ainda mais com a companhia de um belo vinho seco. – Bebo mais um gole de chá – maçã, cravo e canela- é o que me resta pra uma noite de gotas finas descompassadas.
O silêncio de agora, me tráz sons de flautas, de bumbo que é o meu próprio coração e o sangue correndo em meu corpo. Tudo é música. Até o cheiro é música agora. Esse cheiro de nada que o tempo às vezes deixa.
Mas, que contradição... Está caindo uma chuva fina lá fora e aqui dentro, ao invés de ter cheiro de chuva, não tem cheiro de nada do tempo. Acreditem... É a mais pura verdade. É o cheiro da morte do tempo. Não a morte propriamente dita. Mas o cheiro de tempo perdido por escolhas que não foram as minhas. Não por completo, se é que existe o completo dessas escolhas.
Agora deixo vir o que é de vir mesmo. Fico cá com a chuva e os sons do seu infinito que também é meu. Não há diferença, só igualdade. Hoje, talvez, nem saiba quem é... Mas você sabe que eu sei. Sei da parte que sou eu e da parte que é você. Somos uma grande parte de um futuro com cheiro de nada nesse exato momento – estou me confundindo. O que quis dizer com isso foi: - me procure em você, assim, se achará novamente. Ou foi o contrário? Talvez tenha sido ...

“Isso” .



Barca Ijexá


O rítmo vai levando nosso corpo,nossa alma,nossa lembrança.
Navegamos por muitos mares até chegar aqui.
Minha boca grita. Ahhhhhhhhh................
Meus olhos... meus olhos gritam também. Alapalá!
Enrolados em bálsamos sagrados, chegamos.
Viemos de cá de acolá.
Estamos aqui para mostrar o ijexá.
Ouço os instrumentos sagrados.
Ouço! Agogô.
Ouço! Rum-pi-lé
Ouço! Xequeré.

- Somos vozes. Somos o próprio som!

sábado, 1 de maio de 2010

'À distância, permaneço te contemplando. ' CFA


Tentando desabafar, talvez pela pior maneira, foi distanciando tudo o que eu quero. Agora ouço a música e meu violão não tem forma, ele não sai som. A lua me leva pra lá, onde não sei como chegar... não tem estrelas no céu pra me guiar. Mas ela, a lua, insiste em trazer notícias de um mundo que dentro de mim sabe, mas fora... nada. Nem as pessoas, nem o tempo, nem nada. Não sabem dizer o que dentro fala. Joguei as cinzas pro ar, ressurgi. Não de nada. Ressurgi do olhar, mesmo distante. Do sorriso, que talvez, nunca, amanhã, quem sabe.. será tocado. Lua na noite escura. Sol que dorme no mar. Mar que escorre dos meus olhos. Olhos que escondem a dor do vazio. Vazio... – foi tudo desabafo.