terça-feira, 8 de junho de 2010

Vácuo


Dentre dores, rumores, amores, um pouco de você.
Um pouco da sua alegria, que talvez tenha restado em mim.
Enquanto tomo mais um copo de chá, a chuva cai lá fora. Uma chuva fina. Ela me fez lembrar de quando cortei meu dedo com uma folha de papel. Aquele papel com aquele escrito seu. Uma dor fina e molhada, feito essa chuva de agora.
A cada gole, percebo que o tempo passou sem passar. O passou, me remete a outros sentimentos. Outras pessoas. O sem passar, a você, que mesmo com o passou, tudo parecendo ter ido, onde na verdade foi adormecido. É isso.
Um amigo uma vez me disse a seguinte frase: “Te acalma, existem coisas que precisam ser adormecidas para que sejam acordadas no momento certo. Se não, a vida se encarrega de apagar de vez.” – Pois é. Depois de tanto tempo a sua alma não foi apagada da minha.
Sou uma pessoa cheia de quereres. Quereres das coisas mesmo. Ou a própria música de Caetano Veloso – Os Quereres “ - Ah bruta flor do querer”. Na verdade, me refiro também, “a garota tão louca” que Gonzaguinha fala na música –Maravida-. Não sou diferente. Não somos.
Engraçado quando me pego olhando pro espelho e nele reflete outra imagem que não sou eu. Incrível como isso acontece, estranho também, às vezes engraçado.
Gostaria de estar tomando um vinho seco agora. Sabe aquele vinho com gosto de madrugada? Mas... não tenho vinho. Cigarro aqui até tem, mas, pra falar a verdade... não tenho vontade de fumar. Não poder e querer são coisas diferentes não é? Não posso e nem quero fumar. Confesso sentir falta da dança que a fumaça faz... ainda mais com a companhia de um belo vinho seco. – Bebo mais um gole de chá – maçã, cravo e canela- é o que me resta pra uma noite de gotas finas descompassadas.
O silêncio de agora, me tráz sons de flautas, de bumbo que é o meu próprio coração e o sangue correndo em meu corpo. Tudo é música. Até o cheiro é música agora. Esse cheiro de nada que o tempo às vezes deixa.
Mas, que contradição... Está caindo uma chuva fina lá fora e aqui dentro, ao invés de ter cheiro de chuva, não tem cheiro de nada do tempo. Acreditem... É a mais pura verdade. É o cheiro da morte do tempo. Não a morte propriamente dita. Mas o cheiro de tempo perdido por escolhas que não foram as minhas. Não por completo, se é que existe o completo dessas escolhas.
Agora deixo vir o que é de vir mesmo. Fico cá com a chuva e os sons do seu infinito que também é meu. Não há diferença, só igualdade. Hoje, talvez, nem saiba quem é... Mas você sabe que eu sei. Sei da parte que sou eu e da parte que é você. Somos uma grande parte de um futuro com cheiro de nada nesse exato momento – estou me confundindo. O que quis dizer com isso foi: - me procure em você, assim, se achará novamente. Ou foi o contrário? Talvez tenha sido ...

“Isso” .



Barca Ijexá


O rítmo vai levando nosso corpo,nossa alma,nossa lembrança.
Navegamos por muitos mares até chegar aqui.
Minha boca grita. Ahhhhhhhhh................
Meus olhos... meus olhos gritam também. Alapalá!
Enrolados em bálsamos sagrados, chegamos.
Viemos de cá de acolá.
Estamos aqui para mostrar o ijexá.
Ouço os instrumentos sagrados.
Ouço! Agogô.
Ouço! Rum-pi-lé
Ouço! Xequeré.

- Somos vozes. Somos o próprio som!

sábado, 1 de maio de 2010

'À distância, permaneço te contemplando. ' CFA


Tentando desabafar, talvez pela pior maneira, foi distanciando tudo o que eu quero. Agora ouço a música e meu violão não tem forma, ele não sai som. A lua me leva pra lá, onde não sei como chegar... não tem estrelas no céu pra me guiar. Mas ela, a lua, insiste em trazer notícias de um mundo que dentro de mim sabe, mas fora... nada. Nem as pessoas, nem o tempo, nem nada. Não sabem dizer o que dentro fala. Joguei as cinzas pro ar, ressurgi. Não de nada. Ressurgi do olhar, mesmo distante. Do sorriso, que talvez, nunca, amanhã, quem sabe.. será tocado. Lua na noite escura. Sol que dorme no mar. Mar que escorre dos meus olhos. Olhos que escondem a dor do vazio. Vazio... – foi tudo desabafo.

terça-feira, 27 de abril de 2010

***A pontuação toda errada... é que desde o início foi tudo errado.***


Até pensei em desistir de amar, mas o amor quando vem... não pede licença,licença.
um sorriso que pede beijo,um olhar que faz a borboleta voar. vejo a lua, fico aqui com os meus desejos...
-canto você. canto pra você.
A cor do brilho dos teus olhos, as estrelas no teu corpo... és meu Céu, menina moça ; esse seu jeito manhoso,tira meu ar.
invadiu meus pensamentos;dispertou meu coração.
meu bem no Sol,no Mar... minha beleza singular...
não ouso dizer quem eu sou,vc é minha paz...
- mas o amor quando vem... não pede licença,licença.

domingo, 25 de abril de 2010

"para nao me perder,abri a boca e os olhos e me enchi de estrelas feito ela." - CFA


Tenho tentado escrever, mas estou muito feliz para isso. Tudo tem acontecido de uma forma bem rápida, e dessa vez não tenho medo. É uma mistura de cenas. O sabor do chambinho e a brancura do lírio. Na verdade, vai além disso tudo. É o espelho mais completo de mim mesmo. Estou com vontade de escrever tudo o que sinto e tenho sentido nesses dias... mas, é complicado dar nomes as coisas assim. Porque não existe nenhuma palavra que possa ser criada, pra escrever meus sentimentos. Eles não são escritos. Sinto tanta coisa bonita. Todas as flores, todas as estrelas, todo o mar, todo,todo...tudo. Meu coração já é de alguém. Tem endereço certo. Sigo as estrelas do meu céu. Me faz um bem tão bem feito. Não consigo mais escrever. As palavras saem voando com as borboletas... fico só sentindo as melhores partículas da face da terra. Tudo isso me basta. Isso,você-neném!

terça-feira, 9 de março de 2010

Kawo Kabiecile!!




"Senhor da justiça. Orixá do fogo e do trovão. Xangô baixou no terreiro avisando: preste atenção. Não será agora,talvez nem amanhã. Mas a limpeza já está sendo feita. Força, verdade e sabedoria não deixe lhes faltar. Libere seu coração e sua alma. Eles o guiarão."


Saravá meu pai Xangô!

M de Saudade.




Hoje o tempo passa no tempo dele. Sempre é assim, eu sei. Não posso acelerar, jogar tudo pra frente. É o que mais queria nesse exato momento. Tenho acordado tão só. Na cama, lembro de pernas, das mãos, dos olhares, sorrisos... viro pro lado, meu travesseiro e o vazio acompanhado do perfume da lembrança. Eu sinto. De verdade, sinto.
Me pego olhando pro nada. Meu espelho não me reconhece. São outras bocas, pernas... outros toques, cheiros, músicas, sabores... no final, só o final. Eu era feliz. Era. Não que não esteja sendo, por que sou uma pessoa que inventa os dias. Sou feliz. Mas antes... não inventava tanto. O antes era tão bom, tão verdadeiro. O Eu completo. Hoje, metade de mim sou eu e a outra metade, partiu. Só me resta o meu lado de dentro.
Choveu tanto um dia desses. O céu tava tão perto da terra... cada raio lindo, cada trovão... Fiquei só olhando pela varanda. Pensei tanta coisa... e no final, saí andando... na escuridão do vazio da solidão. Não que estivesse só, não é isso. Só estava na falta de você que sou eu. Não senti medo. Só no depois. Mas que ironia não? No início -do nosso início- o medo, agora a saudade. Seria bem melhor deletar tudo e voltar para o antes do agora. Voltar aquele sorriso, aquela mão no meu peito, como quem segura o coração. Aquelas pernas entrelaçadas, aquele toque.. aquele, aquilo... tudo.
Agora não sei terminar esse escrito. Fico com o silêncio da noite e essas lágrimas que caem.