terça-feira, 11 de agosto de 2009

Porque Era Ela, Porque Era Eu

Chico Buarque

Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu
Porque eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando pela mão

Íamos todos os dois
Assim ao léo
Ríamos, choravamos sem razão
Hoje lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu

terça-feira, 4 de agosto de 2009



Hoje acordei com vontade de morrer só um pouquinho sabe? assim, sem razão. Lembro e me vejo no que tinha de ser, sendo sem ser... nada. Sonhei tanta coisa e ainda sonho. Talvez seja isso. É, talvez. Até quando chovia, o sorriso... Choveu de novo. a noite ficou tão distante do dia... a cama ficou grande... ah, fez frio também sabia? em meus braços... o travesseiro. Confesso ter tido um pouco de medo também. Hoje acordei com essa vontade sem... cor. Agora, exatamente agora, estou com muitas saudades. Eu sei que você sabe disso e de tantas outras coisas que nem foram ditas... é que hoje, sinto uma falta de um grande homem,amigo , tio, que me ensinou a rodopiar na música... Hoje, agora, me deu uma coisinha assim... Saudade da mulher que deu a vida a minha mãe...
Talvez essa melancolia toda esteja mudando o rumo desse escrito, o que não sei ao certo... o que é rumo? Talvez tanta coisa também. será que quando vivemos a cada dia, morremos mais um pouco? Vem... vamosviver mais. Vem, vamos ver o mar... não esse que sai dos meus olhos agora. Vamos mergulhar com as cabrochas nas rodas do bom e velho samba.


É só saudade...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

- Tão doce... você quer?abre a mão, toma! vem. vai... vem! A argila continua guardada em algum lugar aqui. Eu lembro. Agora a vontade de poder, é simplesmente um gole de bebida . Poderia ter visto o que eu vi hoje... uma agitação doce e bonita, amarga na distância. A distância é a bebida mais amarga e sem palavras, sabia? A vontade, é a droga interna mais droga. Eu vi o mar, te vi lá. Imaginei que estivesse do meu lado olhando a maré abraçando a areia. Percebi a dança. tão lindo o envolvimento... .senti esse doce amardo da bebida distância, vontade. Pois é... agora... um gole de qualquer bebida ardente pulsa. Escorro pelas beiradas na noite fria... a tela fica na memória. A chuva dos meus olhos tem gosto de mar sabia? Senti em meus lábios. Doce mesmo, quero que seja a saudade. Enquanto isso, vejo a fumaça dançar no vento e de dentro do barquinho, vejo a água refletir a prata da minha chuva na onda.

terça-feira, 14 de julho de 2009

De mim pra você.

- êi, olha alí... bem alí na frente. olha vai. corre, olha. ô, sumiu. nem sei o que era... talvez fosse minha alma, ou o desejo de ser ela.Será que ela morreu? então... olha lá encima. É noite. olha vai... ta vendo? aprendi quando pequena que, quando alguém morre vira estrela. se minha alma morreu, deve ter virado estrela, né? Alma é alguém? segue a luz. sumiu! sumi! é o labirinto dos olhos amendoados,estes meus olhos. toma, guarda contigo e veja a minha estrela.

[ ps: a frase " Que seja doce"" da imagem é do Caio Fernando Abreu, livro: Os Dragões não conhecem o paraíso.]

domingo, 17 de maio de 2009

"Coisas claras, panos brancos, incensos e flores."




- O respeito cobriu o alvo, o beijo de despedida foi na bochecha e, na escuridão, antes do medo, o calor de um só.


Cada detalhe, cada piada, cada gesto.
O olhar brilhava horas sem fim.
Me guiei pela claridade do sorriso.
No quarto escuro, fomos ficando iguais...
Ta tudo aqui comigo.
Tudo guardado aqui, comigo.

" Clara, noite rara, nos levando além
da arrebentação
Já não tenho medo de saber quem somos
na escuridão. "


"Belo é o Recife pegando fogo na pisada do maracatu."


" -Pode crer bixo!"

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Alguém que tem saudade...

Hoje acordei saudosa... na verdade, tenho estado saudosa. O tempo que vai e deixa marcas de um passado confuso, feliz, incerto, brincalhão, azul.
Éramos nós. Explicitamente incógnitas. Complicações diárias. Intactas retinas sorridentes, sabemos, sabemos,hahaha. Á que será que se destina tudo isso? Isso, passado pelo passado remoto, nas estrela, lua, no cheiro das noites escuras. Não existia escuridão ou claridade. Éramos nós.
Os parapapás de cada esquina dobrada. Cada golada, coisas inusitadas. Suco doce e leve de amora. Palavras formadas de gozações contínuas. Era o “ Devajú de molhão potocó “. Leves, frios, farpas, evidências, parapapás.
É melhor nem pensar como aconteceu. Aconteceu... o início de encontro de olhares num bar. A janela da alma foi aberta. Tudo foi se envolvendo. O samba. O amor. Sem tempo. Sem correria. Pouco importava as horas... toda hora era hora.
- Bom dia meu senhor. Bom dia minha senhora. [ continência, bate palmas] Rala bosta
- Corre amiga, ele vai te molhar com o balde d’água.
– segura a bola merda.
– amiga, to na requenguela.
– Sééééééééério?
- uaaaaii me abane.
– Depressão!
- Jhoga, jhoga, jhoga.
– nira, leida...
- complexo.
Hahahaha...
- solidãooooo ..
- Ôôôô Bebê Joe
– sabe gente...
- flor minha flor...
– eu posso gritar e ninguém vai em ouvir.
- Arrasou!
-ííííibix....hahaha
– tanta coisa gente, tanta coisa...! hahahahha.........
Tanta coisa mesmo . Foi crescendo e absorvendo cada um. Mais pureza, mais carinho, calma, alegria, verdades. A canção se fez mais clara e sentida. Sinto cheiros. Nós, sempre nós.
Na verdade, todo esse escrito, não chega a nem um ponto do que realmente foi e é. Tantos pontos... São coisas que não se expressa em palavras porque os sentimentos sabem. Os olhares falam. Nós sabemos.
Éramos nós. Somos nós. Seremos sempre nós.



" Nó forte de tudo que cruza."
[ P.M.C.]

" Juntos somos nós, sós não somos não."
[Cascadura]


Amo além do amor!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Sou eu

Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade de mim.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.

Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim alugares na vida.

Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo -
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.

Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.

Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.

Sou eu mesmo, que remédio! ...

(Álvaro de Campos)