domingo, 17 de maio de 2009

"Coisas claras, panos brancos, incensos e flores."




- O respeito cobriu o alvo, o beijo de despedida foi na bochecha e, na escuridão, antes do medo, o calor de um só.


Cada detalhe, cada piada, cada gesto.
O olhar brilhava horas sem fim.
Me guiei pela claridade do sorriso.
No quarto escuro, fomos ficando iguais...
Ta tudo aqui comigo.
Tudo guardado aqui, comigo.

" Clara, noite rara, nos levando além
da arrebentação
Já não tenho medo de saber quem somos
na escuridão. "


"Belo é o Recife pegando fogo na pisada do maracatu."


" -Pode crer bixo!"

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Alguém que tem saudade...

Hoje acordei saudosa... na verdade, tenho estado saudosa. O tempo que vai e deixa marcas de um passado confuso, feliz, incerto, brincalhão, azul.
Éramos nós. Explicitamente incógnitas. Complicações diárias. Intactas retinas sorridentes, sabemos, sabemos,hahaha. Á que será que se destina tudo isso? Isso, passado pelo passado remoto, nas estrela, lua, no cheiro das noites escuras. Não existia escuridão ou claridade. Éramos nós.
Os parapapás de cada esquina dobrada. Cada golada, coisas inusitadas. Suco doce e leve de amora. Palavras formadas de gozações contínuas. Era o “ Devajú de molhão potocó “. Leves, frios, farpas, evidências, parapapás.
É melhor nem pensar como aconteceu. Aconteceu... o início de encontro de olhares num bar. A janela da alma foi aberta. Tudo foi se envolvendo. O samba. O amor. Sem tempo. Sem correria. Pouco importava as horas... toda hora era hora.
- Bom dia meu senhor. Bom dia minha senhora. [ continência, bate palmas] Rala bosta
- Corre amiga, ele vai te molhar com o balde d’água.
– segura a bola merda.
– amiga, to na requenguela.
– Sééééééééério?
- uaaaaii me abane.
– Depressão!
- Jhoga, jhoga, jhoga.
– nira, leida...
- complexo.
Hahahaha...
- solidãooooo ..
- Ôôôô Bebê Joe
– sabe gente...
- flor minha flor...
– eu posso gritar e ninguém vai em ouvir.
- Arrasou!
-ííííibix....hahaha
– tanta coisa gente, tanta coisa...! hahahahha.........
Tanta coisa mesmo . Foi crescendo e absorvendo cada um. Mais pureza, mais carinho, calma, alegria, verdades. A canção se fez mais clara e sentida. Sinto cheiros. Nós, sempre nós.
Na verdade, todo esse escrito, não chega a nem um ponto do que realmente foi e é. Tantos pontos... São coisas que não se expressa em palavras porque os sentimentos sabem. Os olhares falam. Nós sabemos.
Éramos nós. Somos nós. Seremos sempre nós.



" Nó forte de tudo que cruza."
[ P.M.C.]

" Juntos somos nós, sós não somos não."
[Cascadura]


Amo além do amor!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Sou eu

Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade de mim.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.

Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim alugares na vida.

Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo -
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.

Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.

Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.

Sou eu mesmo, que remédio! ...

(Álvaro de Campos)

terça-feira, 10 de março de 2009

nada muda. mudo muda o nada. " chão é céu..."


Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé

Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também


" Eu Apenas Queria que Você Soubesse - Gonzaguinha "



- a música fala por mim!

domingo, 8 de março de 2009

terça-feira, 3 de março de 2009

A fumaça. vou vivendo e desaparencendo nela...



Maravida
Gonzaguinha

Composição: Gonzaguinha

Era uma vez eu no meio da vida
Essa vida assim, tanto mar, tanto mar
Coisa de doce e de sal
Essa vida assim, tanto mar, tanto mar
Sempre o mar, cores indo
Do verde mais verde ao anil mais anil
Cores do sol e da chuva
Do sol e do vento, do sol e o luar
Era o tempo na rua e eu nua
Usando e abusando do verbo provar
Um beija-flor, flor em flor, bar em bar
Bem ou mal margulhar
Sempre menina franzina, traquina
De tudo querendo, provar e provar
Sempre garota, marota, tão louca
A boca de tudo querendo levar
Vida, vida, vida
Que seja do jeito que for
Mar, amar, amor
Se a dor quer o mar dessa dor, ah!
Quero no meu peito repleto
De tudo que possa abraçar
Quero a sede e a fome eternas
De amar, e amar e amar...
Vida, vida, vida.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

"E quanto rastro de incompreensão eu já deixei..."




Depois de lambuzar da fruta, que era o casulo, a borboleta se estampa na alma. Não adianta explicar o que não se explica. O não explicar... não quer dizer q há um vazio. Em mim, há um completo de alguém... Pra que tanta pressão? Assim...vou...voo,fui! De que adianta falar de passado, presente ou futuro... se tudo é embolado mesmo. O que em mim há.. deixa estar... São muitas músicas. Muitos toques... viro cinza de incenso no ar... assim, desmanchada no vento. Nó engasgado,do disfarce do choro. Mesma maçã,diferente sabor. Eu quero o que deu e ficou, não passa...não passa! Eu quero o mesmo sabor. [ai... aquele sabor. aquele cheiro. doce. leve.... Quando canto, meu gogó sai ... vai pra lua, pro ouvido das pessoas. Danço no ritmo ensinado... caiu boêmia de cabeça. O meu sentir de abandono, passa. A chama cresce mais. As ruas grandes...sem cheiros de bexigas cheias de água ou gelatina... sigo o caminhar das flores. Bem mais que perto, sinto o céu aberto. Quando some, sumo. Pouco importa pra qualquer pessoa, os meus porquês. Se meus olhos procuram no horizonte próximo,o mel ímpar... é por que é! Nunca consegui mudar isso. Nem querendo mudar. E querem saber? Não quero mudar mais! É o mel q me faz doce. Sinto perto. Derrama nas minhas veias. Umedece meu coração. Amacia minha carne. Ilumina minha alma. Coisa... de coisa... coisa. Me acalma. "Me cura de uma loucura qualquer..." Não sei. Quero tudo e não quero nada. Quero de verdade, é acabar com esse fantasma!




O Último Pôr-do-sol

Lenine

Composição: Lenine

A onda ainda quebra na praia,
Espumas se misturam com o vento.
No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sentindo saudades do que não foi
Lembrando até do que eu não vivi
pensando nós dois.

Eu lembro a concha em seu ouvido,
Trazendo o barulho do mar na areia.
No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sozinho olhando o sol morrer
Por entre as ruínas de santa cruz lembrando nós dois

Os edifícios abandonados,
As estradas sem ninguém,
Óleo queimado, as vigas na areia,
A lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos,
Por entre os dedos da minha mão passaram certezas e dúvidas

Pois no dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém,
O último homem no dia em que o sol morreu.


[hoje eu sei que fui embora querendo ficar. foi melhor,foi melhor!]


- Hoje, o Menino volta a me visitar.