quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Metade

Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Porque Era Ela, Porque Era Eu

Chico Buarque

Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu
Porque eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando pela mão

Íamos todos os dois
Assim ao léo
Ríamos, choravamos sem razão
Hoje lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu

terça-feira, 4 de agosto de 2009



Hoje acordei com vontade de morrer só um pouquinho sabe? assim, sem razão. Lembro e me vejo no que tinha de ser, sendo sem ser... nada. Sonhei tanta coisa e ainda sonho. Talvez seja isso. É, talvez. Até quando chovia, o sorriso... Choveu de novo. a noite ficou tão distante do dia... a cama ficou grande... ah, fez frio também sabia? em meus braços... o travesseiro. Confesso ter tido um pouco de medo também. Hoje acordei com essa vontade sem... cor. Agora, exatamente agora, estou com muitas saudades. Eu sei que você sabe disso e de tantas outras coisas que nem foram ditas... é que hoje, sinto uma falta de um grande homem,amigo , tio, que me ensinou a rodopiar na música... Hoje, agora, me deu uma coisinha assim... Saudade da mulher que deu a vida a minha mãe...
Talvez essa melancolia toda esteja mudando o rumo desse escrito, o que não sei ao certo... o que é rumo? Talvez tanta coisa também. será que quando vivemos a cada dia, morremos mais um pouco? Vem... vamosviver mais. Vem, vamos ver o mar... não esse que sai dos meus olhos agora. Vamos mergulhar com as cabrochas nas rodas do bom e velho samba.


É só saudade...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

- Tão doce... você quer?abre a mão, toma! vem. vai... vem! A argila continua guardada em algum lugar aqui. Eu lembro. Agora a vontade de poder, é simplesmente um gole de bebida . Poderia ter visto o que eu vi hoje... uma agitação doce e bonita, amarga na distância. A distância é a bebida mais amarga e sem palavras, sabia? A vontade, é a droga interna mais droga. Eu vi o mar, te vi lá. Imaginei que estivesse do meu lado olhando a maré abraçando a areia. Percebi a dança. tão lindo o envolvimento... .senti esse doce amardo da bebida distância, vontade. Pois é... agora... um gole de qualquer bebida ardente pulsa. Escorro pelas beiradas na noite fria... a tela fica na memória. A chuva dos meus olhos tem gosto de mar sabia? Senti em meus lábios. Doce mesmo, quero que seja a saudade. Enquanto isso, vejo a fumaça dançar no vento e de dentro do barquinho, vejo a água refletir a prata da minha chuva na onda.

terça-feira, 14 de julho de 2009

De mim pra você.

- êi, olha alí... bem alí na frente. olha vai. corre, olha. ô, sumiu. nem sei o que era... talvez fosse minha alma, ou o desejo de ser ela.Será que ela morreu? então... olha lá encima. É noite. olha vai... ta vendo? aprendi quando pequena que, quando alguém morre vira estrela. se minha alma morreu, deve ter virado estrela, né? Alma é alguém? segue a luz. sumiu! sumi! é o labirinto dos olhos amendoados,estes meus olhos. toma, guarda contigo e veja a minha estrela.

[ ps: a frase " Que seja doce"" da imagem é do Caio Fernando Abreu, livro: Os Dragões não conhecem o paraíso.]

domingo, 17 de maio de 2009

"Coisas claras, panos brancos, incensos e flores."




- O respeito cobriu o alvo, o beijo de despedida foi na bochecha e, na escuridão, antes do medo, o calor de um só.


Cada detalhe, cada piada, cada gesto.
O olhar brilhava horas sem fim.
Me guiei pela claridade do sorriso.
No quarto escuro, fomos ficando iguais...
Ta tudo aqui comigo.
Tudo guardado aqui, comigo.

" Clara, noite rara, nos levando além
da arrebentação
Já não tenho medo de saber quem somos
na escuridão. "


"Belo é o Recife pegando fogo na pisada do maracatu."


" -Pode crer bixo!"

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Alguém que tem saudade...

Hoje acordei saudosa... na verdade, tenho estado saudosa. O tempo que vai e deixa marcas de um passado confuso, feliz, incerto, brincalhão, azul.
Éramos nós. Explicitamente incógnitas. Complicações diárias. Intactas retinas sorridentes, sabemos, sabemos,hahaha. Á que será que se destina tudo isso? Isso, passado pelo passado remoto, nas estrela, lua, no cheiro das noites escuras. Não existia escuridão ou claridade. Éramos nós.
Os parapapás de cada esquina dobrada. Cada golada, coisas inusitadas. Suco doce e leve de amora. Palavras formadas de gozações contínuas. Era o “ Devajú de molhão potocó “. Leves, frios, farpas, evidências, parapapás.
É melhor nem pensar como aconteceu. Aconteceu... o início de encontro de olhares num bar. A janela da alma foi aberta. Tudo foi se envolvendo. O samba. O amor. Sem tempo. Sem correria. Pouco importava as horas... toda hora era hora.
- Bom dia meu senhor. Bom dia minha senhora. [ continência, bate palmas] Rala bosta
- Corre amiga, ele vai te molhar com o balde d’água.
– segura a bola merda.
– amiga, to na requenguela.
– Sééééééééério?
- uaaaaii me abane.
– Depressão!
- Jhoga, jhoga, jhoga.
– nira, leida...
- complexo.
Hahahaha...
- solidãooooo ..
- Ôôôô Bebê Joe
– sabe gente...
- flor minha flor...
– eu posso gritar e ninguém vai em ouvir.
- Arrasou!
-ííííibix....hahaha
– tanta coisa gente, tanta coisa...! hahahahha.........
Tanta coisa mesmo . Foi crescendo e absorvendo cada um. Mais pureza, mais carinho, calma, alegria, verdades. A canção se fez mais clara e sentida. Sinto cheiros. Nós, sempre nós.
Na verdade, todo esse escrito, não chega a nem um ponto do que realmente foi e é. Tantos pontos... São coisas que não se expressa em palavras porque os sentimentos sabem. Os olhares falam. Nós sabemos.
Éramos nós. Somos nós. Seremos sempre nós.



" Nó forte de tudo que cruza."
[ P.M.C.]

" Juntos somos nós, sós não somos não."
[Cascadura]


Amo além do amor!